Deborah por Deborah


Descrição textual da imagem por ROSA SANTOS
 Fotografia Colorida

No centro da imagem, em ambiente externo e iluminado, numa pista de cor cinza asfaltada, vê-se em pé e parados, uma mulher branca sorridente, de cabelos louros e cacheados, segurando com as duas mãos à frente do corpo, a guia de um cão de porte grande de pêlo bege próximo a ela.  São Deborah Prates e Jimmy posando para a fotografia.  Atrás, próxima aos dois, uma grande pedra cinza de superfície irregular ocupa todo o fundo da imagem.

Próximo ao canto superior direito da imagem, em cima da pedra, vê-se um tufo de vegetação verde. Deborah olha para frente com óculos de sol marrom, brincos longos prateados, batom cor-de-rosa, cabelos amarrados para trás, blusa de mangas curtas e estampa floral, com grandes flores cor-de-rosa e folhas verdes claras, sobre uma bermuda jeans azul escuro, e está calçando tênis branco.  Jimmy com a cabeça erguida está com a boca aberta, observa atento algo à esquerda da imagem.





"A"

A MINHA PRETENSÃO


                                               Para todos os amigos Visitantes que se dispuseram a saber quem é DEBORAH PRATES é que apresento-me dizendo: OLÁ! OBRIGADA PELA VISITA. CONTO-LHES PARTE DAS EMOÇÕES QUE A VIDA ME OFERECEU, NO PROPÓSITO DE MOSTRAR A LARGA CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO DO SER HUMANO.

                                               Sou advogada, cega faz cerca de cinco anos, usuária de cão-guia, com ent'anos de idade, ambientalista e residente no Rio de Janeiro. Nessa nova realidade constatei que a DISCRIMINAÇÃO anda em paralelo com os "DIFERENTES". Por isso tornei-me, é óbvio, MILITANTE da causa/ luta dos deficientes, trazendo em mim a inquietude/ inconformismo para buscar e realizar a nossa acessibilidade e INCLUSÃO, somado ao OTIMISMO em acreditar que terei sucesso na busca de uma melhor qualidade de vida para todos.

                                               Entendo que o grande barato dessa vida é a troca de experiências. A vida é o laboratório comum. Assim, se você conhece alguém que esteja passando por um mau pedaço comente meu ensaio de engrandecimento.

                                               A "CARTA CIDADÃ" de 1988 prepondera o social sobre o individual no anseio de uma sociedade mais IGUALITÁRIA, de modo a DIMINUIR as diferenças. Energicamente caberia ao Estado assumir campanhas educativas/informativas para que a sociedade aprendesse a arte de bem recepcionar o DIFERENTE. Mas por culpa da nossa IRRESPONSABILIDADE NAS URNAS, tal não ocorre.

                                               Hoje enxergo muito mais do que parecia ver há cinco anos. Noto que o empresariado, bem como as organizações NÃO governamentais estão tomando a dianteira no quesito SOCIAL. Mesmo assim é quase NADA o que se faz para transformar conceitos e preconceitos.

                                               Nesse Século XXI o empresário que não investir no ser humano - em seu melhor bem-estar - bem como numa visão ampla quanto a preservação do Planeta estará fadado ao insucesso. A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Sinto que tenho suporte/equilíbrio para  trabalhar na conscientização da sociedade.

                                               Só quem sofre a dor da discriminação é que tem o poder de tratar a "causa". Observo a sociedade, em geral, nos ministrar analgésicos/paliativos apenas para controlar a temperatura. Basta! Lembro a máxima "NADA SOBRE NÓS SEM NÓS"!

                                               Há uma canção do Grupo "TITANS", de nome "COMIDA", cujo refrão (mais ou menos) diz: A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA. A GENTE QUER COMIDA, DIVERSÃO E ARTE. Os deficientes não querem só comida e festinhas com bolas coloridas de encher para serem estouradas ao final. Não. Queremos educação inclusiva inteligentemente, transporte adaptado, turismo adaptado, desporto adaptado, saúde condizente, teletrabalho, cumprimento da lei de cotas de modo responsável, implementação de todos os recursos de acessibilidade (físicos/urbanísticos e/ou cultural e muito mais.

                                               Pretendo, pois, com esse blog interagir com todos. Através desse convívio franco e salutar estaremos progredindo no lento processo da SUSTENTABILIDADE HUMANA.

"B"

O EQUILÍBRIO VENCENDO A CEGUEIRA


                                               Após a cegueira perdi todos os clientes (e não eram poucos). Normal! Isso porque a sociedade, de um modo global, não está habituada com o diferente e, por ilustração, confunde a perda de um sentido (visão) com a perda da CAPACIDADE INTELECTUAL. Então, custa um bom tempo para que os concidadãos percebam que a deficiência não retira o profissional do mercado de trabalho, muito embora haja que ser dado condição especial para que a IGUALDADE também abrace a Pessoa com Deficiência.

                                               Aristóteles, em remotos tempos, já argumentava que se tratassem igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, nas proporções de suas desigualdades. Atualmente a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (único diploma internacional com força de Emenda Constitucional) ratifica tal pensamento, contudo, o retrato do dia-a-dia nos dá conta que a ideia não passa de um final feliz de obra cinematográfica!

                                               Nessa nova e desafiante realidade foi que não tive tempo para depressão, visto que havia muito a fazer, em tão pouco tempo, para encarar a nova forma de vida sem a perda da rotina. O relógio é implacável. O tempo não para. Seria eu quem teria que acompanhar o compasso!

                                               Uma breve retrospectiva dos fatos inerentes a cegueira dá conta ao leitor do quanto vale o equilíbrio e o bom-senso em momentos conturbados da vida. Num final de dezembro esperava, com todos os exames prontos, por mais uma cirurgia de glaucoma. Nesse lapso custei a descobrir que havia contraído uma pneumonia. Após diagnosticada e tratada ainda restou uma tal prega num pulmão. Para essa nova etapa do tratamento foi que houve a necessidade da administração de corticoides. Então, a "briga" entre o "pneumo" que impunha a ingestão da droga e o "oftalmo" que, absolutamente, dizia que não ante a possibilidade de subir, ainda mais, a pressão intraocular.

                                               Tal discussão profissional, antes de ser médica, deveria ser pessoal, já que dizia respeito a minha vida. Afastei a pendenga médica e chamei minha filhota perguntando-lhe com muita naturalidade: "Filha querida, você prefere uma mãe cega ou uma mãe morta"? Com igual naturalidade, ante o harmonioso e real convívio familiar, foi que a resposta veio: "PREFIRO UMA MÃE CEGA"! Assim foi que dissemos: "QUE VENHAM OS CORTICOIDES"! Em 15 dias vivi o "APAGAR DAS LUZES" E O RECOMEÇO DE UMA NOVA REALIDADE com todas as adversidades inerentes a esse novo mundo.

"C"

A BENGALA E O CÃO-GUIA


                                               Ainda no tempo do APAGAR DAS LUZES corri para conseguir aula de mobilidade (uso da bengala). Morri na praia! Matrículas esgotadas e a fila de espera era grande. Sem tempo para a espera e sem recursos arrumei um instrutor que, nas horas de folga, ministrou-me apenas seis aulas. A boa vontade aliada a necessidade fazem milagre! Pronto. Na gramática tudo certo. No entretanto, na prática Berenice não se deu com a minha personalidade. Notei que andava como peixe, na diagonal da vida.  Na velocidade do relógio decidi por um olho quadrúpede e fui à luta!

                                               Desbravando novos horizontes e sem medo de ser feliz fui para a América buscar meu cão-guia. Cuida-se de um labrador, macho, amarelo de 5 anos. Ao final do curso de treinamento (30 dias) e sem dominar o inglês fui vitoriosa trazendo Jimmy.

                                               Na companhia de JIMMY (meu pessocão) fui convidada a integrar uma instituição sem fins lucrativos, onde ocupei a função de ASSESSORA INSTITUCIONAL, bem como o cargo de CONSELHEIRA no COMDEF/RJ - SECRETARIA MUNICIPAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA.

                                               Por ter segurança em meus objetivos foi que, um ano depois, apresentei carta renunciando aos cargos supra em decorrência da ONG NÃO honrar o compromisso de defender os interesses dos cegos. Numa exclusão de meu cão-guia de evento sem a contrapartida de defender a opção de locomoção do deficiente visual decidi renunciar aos cargos. Resolvi que NUNCA mais me deixaria ser enganada. Errar é humano, todavia, persistir no erro é BURRICE!

                                               Com veemência repudio os "EMPRESÁRIOS DA AGONIA", quais sejam, os que tentam auferir vantagens as custas das DESVENTURAS ALHEIAS. Repito que a falta da visão  - de longe - nos retira o poder de enxergar o contexto da vida! Esses "empresários" só sobreviverão se nós - deficientes - permitirmos.

                                               Jimmy aumentou imensuravelmente a qualidade da vida familiar. Em contrapartida, por desconhecimento e arbitrariedade da sociedade, me forçou a enfrentar o Poder Judiciário inúmeras vezes. Abaixo conto grave discriminação que prejudicou imensuravelmente a minha carreira de advogada.

                                               Fui convidada por emissora de televisão para fazer matéria mostrando o trabalho de Jimmy. Sugeri fosse parte das filmagens feitas dentro do foro central do RJ, com o fim de que a sociedade pudesse avaliar a importância do trabalho do "guia". Dirigi-me a assessoria de imprensa do Tribunal para a necessária autorização das imagens. Esclareço que Jimmy e eu já frequentávamos o local fazia 2 anos! Ouvi, ante a minha insistência, do próprio desembargador que a Equipe da televisão e eu entraríamos, todavia, o cão-guia ficaria custodiado na portaria sob cuidados de seus seguranças.

                                               Infrutíferos restaram meus argumentos jurídicos de que o seu MANUAL DE PORTARIA jamais poderia revogar diplomas de leis, nem que tal impedimento caracterizava crime de DISCRIMINAÇÃO por força expressa nas Leis do cão-guia. Ainda tive que ouvir ironia! Sim. O desembargador me fez a seguinte pergunta: O SEU CACHORRO SABERIA LER, POR EXEMPLO, A PLACA  NUMA PORTA DIZENDO 24ª VARA CÍVEL? MEUS SEGURANÇAS SABERIAM! Diante de tamanha DESUMANIDADE foi que respondi: NÃO. JIMMY, POR SER AMERICANO, NÃO FALA O PORTUGUÊS, PELO QUE NÃO LERIA NENHUMA PLACA!

                                               Nossa! A que ponto chegamos! Para explicar tamanha segregação de quem, EM TEMPO ALGUM, poderia praticá-la é que peço permissão a Hans Christian Andersen, para tomar como paradigma o seu conto A ROUPA NOVA DO IMPERADOR. Seria uma versão atualizada da obra com o novo título de A TOGA NOVA DO DESEMBARGADOR? Verdadeiramente o pior cego é o que não quer ver. A investidura num "importante" cargo embreaga/entorpece? O manto/toga do poder corrói e corrompe os corações. Serão todos?

                                               O desembargador, através de programa de rádio, ainda conseguiu colocar a população contra o cão-guia ao dizer de seu cuidado na proibição, vez que o animal colocaria em risco a enorme massa humana que transitava no foro central diariamente. A MALDADE/PODER foi de tal grandeza que - nem com o decorrer do tempo - a autoridade se deu conta do texto da legislação pertinente. As Leis são claras ao inferir que é condição essencial para ser guia que o cão seja DÓCIL. Quanto mal praticou o Chefe do Poder Judiciário contra todos os deficientes visuais usuários de cães-guia.

                                               Só após ter levado toda a imprensa/mídia na porta do foro foi que o desembargador liberou a minha entrada. Ainda assim escoltada por dois seguranças e um funcionário de sua confiança. Como delinquente tive que transitar diante da sociedade. Fui obrigada a vestir a beca da HUMILHAÇÃO e desfilar diante de meus pares como castigo divino decorrente da CEGUEIRA.

                                               Compartilho com minha filhota, diariamente, o JOGO DO CONTENTE. Sempre conseguimos extrair algo de positivo nas piores situações. Faz alguns dias tive a FELICIDADE de obter do mesmo Tribunal que me DISCRIMINOU FLAGRANTEMENTE sentença que julgou PROCEDENTE meu pedido de indenização por danos morais. Recebi a boa nova com grande emoção porque imaginei que vencesse o espírito de corpo típico das categorias representativas de quaisquer seguimentos. Boquiaberta fiquei ao ler a bravura do magistrado julgador ao expressar que restou inequívoca a prática da DISCRIMINAÇÃO/violação a legislação vigente por seu superior. No contraponto ganhei um "pito" por ter me valido da força da mídia para a RAPIDEZ na restauração dos meus direitos.

                                               Então, vale, mais esta vez, registrar os meus sinceros agradecimentos aos Excelentíssimos Senhores Jornalistas que, sempre que precisei, socorreram-me no exercício de seus misteres como num "flash. Sem recursos financeiros como chegaria até a instância superior (Brasília) para reverter a ARBITRARIEDADE/DESUMANIDADE? Em que tempo conseguiria fosse feita a justiça? Como profissional do direito é constrangedor ter que reconhecer que a nossa Justiça está emperrada/"falida".

                                               Quanto custa uma carreira? Qual o valor de uma profissão? Quem, em sã consciência, daria uma causa a uma advogada cega que "briga" com a maior autoridade do Poder Judiciário local? Embora favorável, a sentença distanciou-se da real JUSTIÇA, ante o baixo valor imposto a título de danos morais. Quanto custa a sua dignidade/honra? Os amigos Visitantes hão de concordar que dez mil reais não pagam a conta deixada pelo desembargador presidente do Tribunal de Justiça do RJ! O que os amigos fariam se estivessem no meu lugar? Aceitariam, - calados - que o MANUAL DE PORTARIA do então desembargador presidente REVOGASSE os seus direitos garantidos por Leis Federal e Estadual? É, julgar o próximo é fácil. Difícil é viver idêntica realidade e assinar igual sentença para um Familiar!

                                               A Lei Federal do cão-guia também pune quem pratica a DISCRIMINAÇÃO de tentar separar o guia do usuário em órbita administrativa. Entrei, assim, com procedimento junto ao setor competente - vinculado à Presidência da República. Quem aplicaria multa administrativa contra o Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro? Claro que a Dra. Encarregada pelo procedimento nada fez.

                                               Levei o assunto ao então presidente LULA. Até que recebi ofício em resposta afirmando que a discriminação praticada não ficaria impune. O que aconteceu administrativamente? NADA DE NADA fora feito pela Secretaria de Direitos Humanos. Para a certeza da impunidade foi que insisti em dar conhecimento do processo à Presidente Dilma. Tudo permanece no ponto de protocolo da notícia. Temos ou não temos que prestar mais atenção nas URNAS?

                                               QUERO MEU CÉREBRO VERDE! E por ainda acreditar que a humanidade não está - de toda - perdida é que penso que o DIÁLOGO ainda é o melhor caminho para a grande reforma. A "SUSTENTABILIDADE HUMANA" é processo longo e complexo porque mexerá com a alma das pessoas. Não será tarefa fácil implodir alicerces de conceitos e preconceitos solidificados nos cérebros ao longo dos séculos.

                                               Nesse blog pretendo o diálogo. Trocar ideias e experiências. Vamos conversar?

"D"

QUEM SÃO OS DIFERENTES


                                               Ora falo nos deficientes, ora nos diferentes. Qual a distinção? Tenho como sensato que a palavra diferentes é género do qual fazem parte os deficientes.

                                               Digo diferentes para todos os que, de algum modo, sentem/sofrem a DOR DA DISCRIMINAÇÃO. Quem são? Os negros, os idosos, os aposentados, os cegos, os surdos, os obesos, os cadeirantes, os que exercem misteres tidos pela sociedade como de somenos importância (empregados domésticos, varredores de ruas, residentes em comunidades, etc.), ...

                                               Os amigos Visitantes hão de perguntar: Mas Deborah, o que todos têm em comum? Resposta. O sentimento da dor provocada pela discriminação é idêntica. Quem nunca ouviu as horríveis frases: "PRETO QUANDO NÃO C.... NA ENTRADA, C... NA SAÍDA". Ou: "AH! DEIXEM O CEGUINHO PASSAR"! E: "OLHEM LÁ O ALEIJADO"! Também: "É AQUELE NEGRINHO, FILHO DA FAXINEIRA QUE MORA NA FAVELA"! O leque de palavras cruéis vai longe e para todo o tipo de mau gosto. No contraponto, temos o ofensor, quem pratica a discriminação. O ponto comum  destes é - simplesmente - o prazer de humilhar/espezinhar seu semelhante. Viram!

                                               Os diferentes têm que ter consciência de que, de longe, representam a MINORIA. Claro que não! Somos, sim, a MAIORIA. Contudo, uma MAIORIA DESUNIDA. Basta darmos um passeio no censo demográfico/2000, para constatarmos que os negros significam mais de 50% da população. O fato de se ter uma tez mais clara e outra mais escura não significa que não sejamos negros! Os idosos e aposentados, com a melhor qualidade de vida, somam grande percentual. Os que possuem algum tipo de deficiência chegam a 20%. Pronto! Paro por aqui na demonstração de que somos a MAIORIA. O pior cego é o que não quer ver. A união faz a força e toda DIFERENÇA! Vamos nos unir?

"E"

MEUS PROJETOS


                                        Tornei-me autora de diversos projetos objetivando a INCLUSÃO e acessibilidade dos deficientes em geral.

                                               Em setembro de 2009, fui convidada para participar da Feira de Ciência e Tecnologia/RJ, que aconteceu no Armazém/Cais do Porto. Presente na abertura do evento ouvi discursos de diversas autoridades. NENHUMA tocou no tema ACESSIBILIDADE/DEFICIÊNCIA. Custei a acreditar no que NÃO ouvira na mostra de CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Não perdi tempo e fui ao encontro dessas autoridades para cobrar a tão sonhada INCLUSÃO. Foi um esmaecido jogo de empurra empurra. Chamados os organizadores concluíram que naquela feira nada mais poderia ser feito, mas, como premiação de consolo, me foi dito que nas próximas o erro seria corrigido.

                                               Insisti. As autoridades sumiram enquanto eu dialogava com os organizadores. Sempre assim! Um passando a responsabilidade para o outro. Mas os organizadores foram legais. Reconheceram a inexistência de elevador e/ou rampa de acesso para que os deficientes físicos chegassem ao 2º piso da exposição, de audiodescrição para os cegos e de intérprete de LIBRAS para os surdos. Aceitaram que não pensaram em qualquer recurso de ACESSIBILIDADE. Será que teríamos que confirmar nossa presença? Precisamos ou não de dialogar?

                                               Tão humildes foram os organizadores que atenderam ao meu pedido deixando-me gravar dois vídeos informativos no estúdio existente no local. O primeiro dirigido as autoridades, organizadores e expositores. O segundo destinado ao público em geral. Ambos foram ao ar pelos 5 dias do evento de hora em hora. Sugeri aos  presentes a maneira como deveriam recepcionar os deficientes apesar da falta de acessibilidade. Longe do ideal, porém, bem perto da realidade.

                                               Muitas vezes atos simples funcionam e nos dão conta de como EXCLUÍMOS NATURALMENTE os deficientes. Então, precisamos trabalhar JUNTOS a palavrinha EXCLUSÃO para, só após, trabalharmos outra chamada INCLUSÃO. É essa má raíz que pretendo colaborar em sua implosão.

                                               Faço palestras sem ensaios em praças públicas, auditórios e em quaisquer lugares que se fizer necessário, sempre com o enfoque de educar/integrar a sociedade com os DIFERENTES.

                                               Graças ao inconformismo pensei nos projetos; BONECOS COM DEFICIÊNCIA. Depois SOCIEDADE! OLHAI POR NÓS! Mais outro apresentado ao nosso arcebispo D. Orani de nome 1ª MISSA COM TODOS OS RECURSOS DE ACESSIBILIDADE, REFLORESTANDO OS NOSSOS CÉREBROS - QUERO MEU CÉREBRO VERDE, e alguns outros que os amigos conhecerão passeando pelas abas desse blog.

                                               Todos os dias escrevo crônicas para blog's, tabloides, sites, etc... Os escritos sempre focam a dor da DISCRIMINAÇÃO, como os amigos Visitantes poderão ler em aba própria. transformei-me em andante com as pernas da escrita. Passo a passo cheguei em Portugal, Espanha, Itália, Angola, Uruguai, Peru, e por esse continental Brasil de nosso Deus. Com quantas pessoas tenho conversado e perguntado: VOCÊ COMPRARIA PARA UMA CRIANÇA DE SUAS RELAÇÕES UM "BONECO COM DEFICIÊNCIA"? Ouvi: "Claro que não compraria um boneco aleijado", Tá louca eu gastar meu dinheiro com brinquedo já defeituoso!, Tá de brincadeira!, Agora, com as suas explicações compraria sim! ... Enquanto tiver meu CÉREBRO VERDE e oxigenado falarei, falarei e falarei.

"F"

BULLYING NA ESCOLA E NA VIZINHANÇA


                                               Minha filhota e eu pensamos ter muitos amigos (desde o maternal), mas, com a vinda da cegueira, constatamos que existiam muitos aproveitadores. Mesmo assim continuamos com a maravilhosa mania de ter fé na vida. Bullying de alunos tem a idade da humanidade. Rendemos graças ao Criador pela conscientização do tema agora pelos nossos Tribunais. Repetidas vêm sendo as decisões condenando colégios por todo o Brasil. O impacto da cegueira é inenarrável. Nessa hora de profunda mudança de realidade foi que minha filha  (12 anos à época) foi mais uma vítima do bullying. A razão? Pasmem! Por conta de BERE - minha bengala - que deixou minha filhota vulnerável a todo tipo de piadas e humilhações. "AMIGAS" que frequentavam a nossa casa desde o maternal foram as vilãs. Fomos isoladas ostensivamente. Sob os olhos da Direção e dos Responsáveis pelas crianças recaiu o singelo manto da INVISIBILIDADE. Todos fingiam nada ver.

                                               Sob o fundamento da velha máxima "nada como um dia após o outro" ainda esperamos dois anos nessa horrível escola na esperança de que algo seria feito. Daí, por não nutrirmos o dom para mártires, alçamos voo para outro colégio, também religioso, onde fomos recebidos pelo Padre Reitor com todas as pompas de Chefe de Estado. Nem tudo está perdido! Ficamos dois anos olhando a vida por essa outra janela com linda paisagem. Hoje migramos para outro estabelecimento com igual receptividade. Somos comuns. Bullying! Nem pensar. Pesadelo remoto.

                                               Moramos num condomínio há 9 anos e faz 5 que ouvi dos meus vizinhos: "A DRA. DEBORAH É ADVOGADA COMPETENTE, MAS ESTÁ CEGA. POR ISSO TEM QUE SAIR DO CONSELHO CONSULTIVO E DAS AÇÕES JUDICIAIS DO CONDOMÍNIO". De fato os fatos se concretizaram. Mas vamos em frente sobrevivendo!

"G"

"UMA SIMPLES CEGUEIRA"

FILME CLASSIFICADO FESTIVAL ASSIM VIVEMOS


                                               O universo conspira a nosso favor. Nunca perdemos a fé na vida e na vitória.

                                               Numa tarde conturbada abro um correio da grande amiga Rosa Santos avisando da abertura das inscrições da mostra de cinema - FESTIVAL ASSIM VIVEMOS. Sim. Foi o que respondi à pergunta se faria a inscrição. Meus neurônios ficaram em frenética ebulição! Sem dinheiro e sem ideia de quem faria a produção veio uma lembrança de uma reportagem feita para uma televisão. Contatos feitos e tudo aprovado e combinado.

                                               Nesse período fissurei o tornozelo direito e estava com uma bota imobilizadora. Nem cegueira, nem pé rachado foram obstáculos. Tudo deu certo. Estabelecimentos comerciais que frequento deram as autorizações cabíveis para que a televisão fizesse nosso média metragem. Produção protocolada e dedos cruzados na torcida organizada pela classificação.

                                               Ah! Nem acreditei ao ler no rol dos classificados "UMA SIMPLES CEGUEIRA". Isso mesmo! Nossa Equipe se classificou! Emoção pura! O Os classificados, de diversos Países, serão exibidos no Centro Cultural do Banco do Brasil/RJ de 16 a 28/8/2011. Após seguirá para São Paulo e Brasília.

                                               Eis a prova de que a lei da atração dos corpos é certeira. Sabendo querer inexistem barreiras físicas e/ou culturais impeditivas de nossos sonhos. E vamos que vamos! Prá frente Brasil!

"H"

DIPLOMAS E CERTIFICADOS


                                               Como não estou concorrendo a vaga de emprego é que vou poupá-los da leitura das etapas da minha formação jurídica. Nesse momento para que elencar tantos diplomas, certificados, experiências inéditas e muito mais na advocacia? O que eu faço com tantos papéis formadores? Constatei que ABSOLUTAMENTE NADA! Então, qual o motivo desse "chato" relatório!

                                               Prefiro dizer-lhes da formação diária. É com essa - sem certificação - que tenho me virado para o sustento próprio e familiar.

                                               Nessa etapa da vida digo-me cachogente, sendo Jimmy meu pessocão. Ele é meu olho e eu seu cérebro. Juntos formamos uma dupla do barulho! Em tese, nosso relacionamento é bem melhor do que um casamento. Isso porque no casamento a cada dia estamos mais perto do fim. Já com Jimmy a cada dia estamos melhores e melhores, chegando perto da sublimação e do Criador.

                                               Sou lavadeira, passadeira, faxineira, cozinheira especializada em batatas fritas, formada nos assuntos do lar, mãe, advogada, e delegada da CDPD - COMISSÃO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA DA OAB/RJ. Vale dizer, como tantas MARIAS da vida. No entretanto, fui obrigada a fazer a DIFERENÇA, pelo que optei em lutar por um Planeta com maior bem-estar para todos.

                                               Sou FELIZ. O amadurecimento deu o tom. Percebi que a felicidade é um bem sem preço e sem etiqueta de grife. Certamente não se encontra a felicidade nas prateleiras das lojas que guarnecem os shoppings, nem em contas bancárias, nem em viagens promissoras. Onde encontrei? No meu interior. No porão do meu coração. É preciso ter PAZ para poder SORRIR. SÓ.

                                               Proporcionalmente vejam que meus olhos representam apenas 5% da totalidade do meu corpo. Logo, ainda me resta 95% para administrar! NÃO HÁ DE SER UMA SIMPLES CEGUEIRA que irá me tirar a vontade de viver e de ser, verdadeiramente, FELIZ.

                                               E VOCÊ QUE ME LÊ É FELIZ?

                                               Grata pela leitura. Por favor amigos Visitantes, interajam comigo postando suas experiências e comentários que ouviram falar e/ou que vivenciaram sobre os DIFERENTES. A Internet é mágica!


Carinhosamente.

DEBORAH PRATES