A CÂMARA DOS
VEREADORES RJ É DO POVO?
Descrição da imagem para
deficientes visuais: Do lado esquerdo, está uma urna eleitoral em formato de máquina
de lavar roupa na cor branca. Acima está escrito “Urna ‘Tabajara’”. Do lado
direito, desenho de dois homens – um de camisa social branca e gravata e outro
de camisa pólo listrada de roxo e branca e com um boné verde – sendo dito pelo
primeiro homem: “Ela é ideal para candidatos com ficha-suja... Passou ta limpo!”
"A praça Castro Alves é do POVO, como o céu é do avião ..."
No Dia Internacional da
Mulher reunimo-nos na Praça da Cinelândia, próximo a Câmara dos Vereadores, com
o propósito de falar/reivindicar nossos direitos, que, às duras penas
conquistamos ao longo do tempo. Éramos cerca de quarenta pessoas. Alguns homens
amigos ajudavam com filmagem, panfletagem, montagem de barraca/tenda, etc... O
clima era o melhor possível. Algumas outras expressões públicas e coletivas do
mesmo sentimento aconteciam na mesma praça a curta distância da nossa.
Destaco a manifestação
organizada pela Comissão das Mulheres da Câmara dos Vereadores, com a presença,
é óbvio, das vereadoras, além de organizações/ONG'S e pessoas coligadas ao evento.
A banda de música da Polícia Militar se apresentou divinamente bem, tocando canções
para as mulheres. Um locutor fazia o seu papel muito mal.
Pedi para um amigo fosse
até ele entregar meus dois folhetos. Um sobre SUSTENTABILIDADE HUMANA. Outro
sobre a falta de oportunidade da MULHER CEGA no mercado de trabalho, traduzida
por uma de minhas crônicas de nome VOTO DE SAIAS. Assim fora feito com a
solicitação de que fosse comentado no microfone. Afinal, estávamos todos ali
por conta do Dia Internacional da Mulher! Imaginei que as vereadoras ficariam
felizes com a participação popular em uma das Casas do Povo! Afinal, todo o
arsenal lançado mão era nosso!
Eu - mera mortal - também
poderia dar a minha contribuição! Jubiloso engano. Aaaaaahh!!! Sempre temos
decepções com esses parlamentares que por aqui estão GRAÇAS AO NOSSO VOTO.
Tudo louvável! Nada a
reclamar acerca da proposta. As lutas anunciadas eram emblemáticas e sérias!
Agora, veja o nuance
CRUEL!
Meu pedido fora feito no
1º bloco da apresentação pelo locutor. Muito bem, ficamos a espera de alguma
menção até pelas 16:00 horas. Nada fora dito. A festa rolava com a presença das
vereadoras eleitas pelo POVO/RJ. Todos preocupados em aparecer diante das câmeras
de certa Equipe de televisão.
Povo! Que Povo!
Lembram de um quadro do
grande Chico Anísio, onde o personagem dizia: "...O POVO TEM MAIS É QUE
MORRER"! Certamente fora esculpido na vida real!
Com algumas outras
mulheres fui reclamar o MEU DIREITO de também falar no microfone sobre o tema,
vez que o locutor não me dera bola. Informo que nos meus folhetos nada havia
mencionando Partidos Políticos, propagandas comerciais, bem como qualquer outro
tipo de vantagens pessoais.
O locutor jogou a
"batata quente" para outro, e este para outro, e para outro, e para a
coordenadora.
Esta, com voz rouca por
conta do alto som, disse-me que eu não poderia anunciar minha luta, nem fazer
uso do microfone - como sugeri - por conta da PROGRAMAÇÃO não contemplar esse
tipo de interferência.
- Nem por leitura de
parte do material entregue ao locutor?
- Não. A programação não
contempla essa fala! Temos que seguir, RIGOROSAMENTE, a programação.
- Mas eu também tenho
DIREITO. Essa Câmara dos Vereadores é do POVO! Eu sou do Povo! Vivemos num
Estado Democrático de Direito, e não posso crer que a PROGRAMAÇÃO tenha EXCLUÍDO a participação popular!
Estamos por aqui desde que as falas começaram e só ouvi os convidados/coligados
de vocês! Os vereadores foram eleitos por nós/POVO! Como só podem contemplar
parte desse POVO? Não está correto! Lindas as parcerias, contudo, também tenho
a somar!
- É mas a programação não
permite e tem que ser cumprida. Quem sabe ao final? Depois das 18h..
- Mas e a DEMOCRACIA que
não está sendo cumprida! Como um parlamento pode fazer manifestação em espaço
comum, usando a máquina coletiva, SEM
contemplar na programação um espaço de tempo para a manifestação dos SIMPLES
MORTAIS/POPULARES que se encontram nos arredores?! O que é isso? Nas audiências
públicas os "MORTAIS" podem falar.
E a briga foi se
alongando e coordenadores da Câmara se envolvendo e defendendo a tal programação.
Quando perceberam que não tinham argumentos para mim, decidiram resolver a
questão através de estratégias repugnantes.
Sabem o velho e covarde
argumento pelo qual, em determinadas situações, melhor é o ATAQUE?
O som rolava numa altura
que somente conseguíamos nos fazer ouvir se elevássemos o tom de voz. Fiquei até
com pena da coordenadora que, freneticamente, repetia "A PROGRAMAÇÃO TEM
QUE SER CUMPRIDA". Eu tinha que me curvar a procura de sua voz afônica.
Outro "chefe" apareceu.
- A senhora está gritando
e perdeu os seus direitos! Não vai falar mais nada sobre VOTO DE SAIAS!
- Coisa feia o qque o
senhor está fazendo! Deturpando os acontecimentos. Estou falando em tom idêntico
a todas as vozes! O som está alto e todos sem voz! O volume da minha voz é por
conta da altura do som ....
Percebi a voz masculina
tentar argumentar. E ficou nisso mesmo.
Conclusão. A Casa é
nossa, porém, apenas alguns integram o pronome "NOSSA".
O vergonhoso episódio me
fez lembrar trecho, quase final, do livo A Revolução dos Bichos, do meu adorado
autor "George Orwell". Escreveu George:
"TODOS OS ANIMAIS SÃO
IGUAIS. MAS ALGUNS ANIMAIS SÃO MAIS IGUAIS DO QUE OS OUTROS".
Qualquer semelhança é
MERA COINCIDÊNCIA!
Ai! E vamos ver o próximo
outubro! Vamos reeleger os que nos fazem CALAR?
O pior cego é o que não
quer ver!
A Casa dos Vereadores do RJ
não é do Carioca, assim como o céu não é do avião!
Carinhosamente.
DEBORAH PRATES





