sábado, 22 de dezembro de 2018

Bate-papo com o corpo docente do Colégio Santo Agostinho/RJ


Dia 17/12/2018 tive a honra e a inenarrável alegria de fazer uma palestra para o corpo docente do Fundamental II do Colégio Santo Agostinho/RJ. Foram momentos inesquecíveis, bem como inesquecível foi o café que confraternizamos após a minha fala. Achei os corações bastante férteis. Penso que em breve teremos bons frutos para todos os humanos que integram os grupos sociais vulneráveis. Agradeço a confiança de todo o corpo docente e direção do colégio, em especial ao professor Cesar Bacchim.






Descrição das fotos para pessoas com deficiência visual:
1 - Deborah Prates e todo o corpo docente e coordenação que assistiu à palestra. Fundo de lousa branca numa sala de aula.
2, 3 e 4 - Diferentes ângulos do corpo docente sentado em carteiras de sala de aula e vendados, enquanto ouvem a palestra de Deborah Prates, que encontra-se sentada na mesa do professor, no centro da sala, de braço quebrado em luva preta ortopédica. Há uma almofada laranja embaixo de seu braço.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Humano universal. Existe democracia sem justiça histórica?



Dia Internacional dos Direitos Humanos. No dia de hoje vi inúmeras falas sobre Direitos Humanos. Em todas, percebi que a sociedade funciona ligando a chave do ser humano universal; explicando melhor: aquele humano que está dentro de um padrão ditado como "normal".

O nosso corpo é a nossa única forma de estar no mundo e de interagir com ele. Assim, todos os que fogem as hétero normas estão à margem do padrão de uma sociedade extremamente desigual e preconceituosa. Desse modo, vale uma reflexão para dizer que não existe um padrão para nós, já que todos os corpos, inclusive os com deficiência, fazem parte de um único todo.

Logo, um ser humano universal inexiste, pelo que é uma falácia de uma sociedade que reforça estereótipos focando na matéria e não no ser que habita esta matéria. As diversidades existem na natureza como são e não como a sociedade as idealizou. Como diz o professor Boaventura de Sousa Santos, as causas hão que dialogar para, juntas, enfrentar/lutar e resistir a todo tipo de opressão. Boaventura fala das epistemologias do sul como uma metáfora para indicar os que ficam oprimidos.

Assim, deixo o pensamento de que pessoas com deficiência, de todas as classes sociais, negras, grupos LGBT+, mulheres, indígenas, bem como todos os seres humanos que se sintam oprimidos ou discriminados precisam ir a luta juntos para que a resistência seja consistente.

Sou pessoa com deficiência e sofro com o capacitismo. Penso que ninguém que tenha consciência das injustiças praticadas contra os oprimidos possa se sentir confortável usando uma maquiagem de neutralidade. Impossível ser neutro diante das injustiças sociais. Uma democracia que só garante a maioria e que não faz justiça histórica é covarde.

Continuarei na luta por essa justiça, vez que não aceito a imposição caritativa da sociedade, que me coloca na condição de menos humano, ou seja, de quase pessoa. A Constituição da República tem como seu alicerce a dignidade da pessoa humana, pelo que eu exijo ser tratada como tal.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Três de dezembro - Dia Internacional da Luta das Pessoas com Deficiência

Hoje é o dia reservado para conscientização da luta das pessoas com deficiência. Buscamos a igualdade de oportunidades em todos os aspectos da vida. Incluir é processo de construção de sociedade igual para todas, todes e todos. Assim, incluir é bem diferente de integrar. De acordo com o último censo do IBGE, representamos 1/4 da população. Assim, a cada 4 pessoas, 1 tem alguma deficiência. Somos muitos seres humanos absolutamente invisibilizados pela sociedade brasileira.

Penso que o ponto a ser trabalhado neste dia seja o capacitismo, que defino da seguinte forma: é uma espécie do gênero preconceito que a sociedade dirige especificamente para as pessoas com deficiência, de tal sorte a reduzi-las à própria deficiência. Cruel demais!

A sociedade foca apenas na deficiência e não no ser. Nessa cultura do corpo padrão, fica difícil um ser que habita um corpo diferente ser incluído nessa sociedade tão preconceituosa. É a força do biopoder, da biopolítica, etc... Para este 2018 e neste dia tão simbólico, quero deixar esses pontos na intenção de problematizar a nossa invisibilidade social.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Acidente que sofri em 08/11/2018


Eu, no dia 08/11/2018, por volta das 23 horas, no hospital Sousa Aguiar (RJ), recebendo os primeiros cuidados de um acidente que sofri em torno das 18h. Despenquei de uma escada ao lado do prédio do Ministério Público do RJ. Claro que foi horrível e estou me recuperando de uma fratura no pulso, vários hematomas e um corte no rosto. Ficarei engessada por 4 semanas e, possivelmente, por mais 15 dias com outro tipo de gesso. Tirando a lembrança horrível da queda que me vêm a todo momento, estou bem.

Além da minha dor física senti outra talvez muito maior, qual seja, a do total abandono do nosso gigante hospital Sousa Aguiar. Muito sinistro o desleixo do prefeito do Rio de Janeiro no trato da coisa pública. Os profissionais consternados com a falta de material e de boas condições de trabalho. O hospital está abandonado pelo gestor. Aqui deixo o meu testemunho do grande esforço dos funcionários e equipe médica. Estão fazendo das tripas coração para socorrer a população. Fui muito bem tratada pelos profissionais e, em especial, pelos dois médicos bucomaxilofacial. Quanta humanidade senti no trato!

Saí do hospital por volta de 00:30h e a cena no entorno era patética, com dezenas de moradores de rua dormindo no espaço. Ouvi relato de que um homem que trabalha como camelô na localidade não teria ido para casa já que não teria dinheiro para voltar no dia seguinte. Por isso, dormia na rua. Assim, eu questiono as amigas e amigos se podemos ser felizes vendo crescer tanta desigualdade na nossa cidade e no nosso Brasil.

Senti muitíssimo não ter ido ao Vale do Aço fazer a minha palestra. Coisas da vida... O homem põe e o destino despõe... rsrs. Conto com a boa energia de todas, todes e todos para a minha pronta recuperação e retorno às minhas atividades. Obrigada. Beijas feministas.




domingo, 19 de agosto de 2018

A verdade sobre os ônibus da OAB/RJ


Por solidariedade da minha querida amiga Helena Niemeyer Teixeira é que foi possível mostrar a verdade sobre os ônibus disponibilizados pela OAB/RJ para transporte dos profissionais da advocacia carioca. Agradeço, de coração, a Helena por ter ajudado a fazer justiça a todas, todes e todos que foram excluídos pela atual gestão da OAB/RJ. 

Convido a todos os seres humanos a assistirem o vídeo e refletirem o quanto a atual gestão da OAB/RJ discrimina as pessoas com deficiência. Mais triste ainda é ver na lataria do ônibus o símbolo da acessibilidade. Como a OAB/RJ pode fazer essa desumanidade?




sábado, 11 de agosto de 2018

Dia da Advocacia


Neste dia 11/08, venho externar a minha honra em ser advogada. Lutei a vida toda para cursar direito em uma época em que a sociedade entendia que era uma profissão somente para homens.

Venci esse obstáculo com muita luta e alegria. Contudo, a vida me pregou uma peça e eu fiquei cega de ambos os olhos faz quase 12 anos. Até aí, "tudo bem". Ocorre que em 18/12/2013 o CNJ, através da Resolução 185, ordenou que o diálogo com o Poder Judiciário só poderia ser feito por meio do sistema PJe - Processo Judicial eletrônico.

Por uma inenarrável desumanidade o PJe foi construído sem as normas de acessibilidade previstas no Consórcio W3C. Isso quer dizer que, por não existir conteúdo codificado, os leitores de tela das advogadas e advogados cegos nada lêem. Assim, o Conselho Nacional de Justiça baniu esse grupo de profissionais da advocacia, já que não têm mais independência e autonomia para o exercício da profissão.

Para que eu possa enviar as minhas petições através do PJe eu preciso pedir auxílio técnico presencial e estou sujeita aos horários de atendimento dos lugares que disponibilizam esse serviço.

A discriminação no trato com advogadas e advogados cegos pode ser avaliada na comodidade com que os profissionais SEM deficiência podem exercer o seu trabalho. Por exemplo, uma advogada sem deficiência pode enviar as suas petições no conforto de seu escritório ou lar até às 23:59h, enquanto que eu sou obrigada a ir caindo pelos buracos nas calçadas (no RJ não há mobilidade urbana) para estar em locais que prestam assistência caritativa até às 17:30h.


Feliz dia da advocacia para todas, todos e todes.


A OAB que eu preciso promove a 

inclusão. #vaimarcello!