quarta-feira, 4 de março de 2020

Representando as mulheres com deficiência


Nesse dia 04/03 tive a grande alegria de compor a terceira mesa do evento - 79ª Reunião do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero, sobre o tema: "A História das Mulheres e as Mulheres na História do Brasil - em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher" - e representar as mulheres com deficiência no auditório da Emerj.

O auditório estava lotado e só havia eu enquanto mulher com deficiência. Nenhuma crítica negativa quanto a essa lacuna presencial, já que as políticas públicas para nós são negadas pelos gestores. Como chegar ao local do evento se as ruas nos excluem? O mesmo acontece com os transportes na grande Rio de Janeiro.

O evento mostrou a trajetória da mulher brasileira na História e nós não estávamos ali. Fiz, então, um pedido de reflexão às grandes pesquisadoras que lá se encontravam para que procurassem documentos que mostrassem a mulher com deficiência nessa trajetória histórica.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Palestra no Museu Nacional

Amigas e amigos, vejam que iniciativa bacana do Museu Histórico Nacional/RJ! E ainda tive a honra de ter sido convidada para ser a palestrante de abertura do solidário evento! O apagamento social que a sociedade provoca nas pessoas com deficiência é imensurável e inenarrável, pelo que sempre me emociona esse tipo de convite. Divido com vocês essa constitucional iniciativa com o objetivo de contaminar todo mundo com a busca do conhecimento para vencer todo tipo de preconceito. Segue a parte do convite que interessa para esse nosso papo em casa.

"... convidá-la a participar como palestrante no Curso Educação Museal e Acessibilidade, que se realizará no Museu Histórico Nacional, no âmbito do Programa de Pesquisa e Criação em Educação Museal do Núcleo de Educação/MHN, entre os dias 12 e 14 de fevereiro de 2020, para uma turma de 45 educadores, pesquisadores, estudantes e demais profissionais de museus."

O capacitismo (preconceito contra pessoas com deficiência) é tão naturalizado que as cidades são construídas tendo como padrão de arremates, bordas das calçadas os conhecidos meios-fios. Naturalizadas, igualmente, são as escadas para acesso de entradas de prédios. É assim desde que o homem aprendeu a construir. Engenheiros e arquitetos não são ensinados diferentemente ao longo dos séculos.
É dessa forma cega, automatizada pelo capitalismo que nos assola que os gestores autorizam quais os corpos que poderão circular com independência e autonomia pelos espaços públicos. Assim, apenas os corpos que obedecem a heteronormatividade/corponormatividade é que estão diplomados/aptos, a usufruírem das suas liberdades e igualdades. Os demais são naturalmente EXCLUÍDOS, como bem nos mostra a história. Essa cultura há que ser quebrada urgentemente. Certo é que o pior cego é o que não quer escutar. O pior é que não está adiantando gritar!!!
Óbvio que o "normal" seriam as bordas de todas as calçadas serem feitas com RAMPAS, não acham? Por que escadas e não RAMPAS para os acessos a todos os lugares altos? Conheço edifícios garagens de 15 andares, evidentemente, inteiros com rampas de acesso para os automóveis.
Contraditoriamente, existem escadas para que os seres humanos passem para outros ambientes!!! Todos robotizados... É isso, vivemos em zonas muralhadas, como bem escreveu o poeta português Mário Cesariny em um dos seus belos poemas. Por essa breve explanação é que tem lugar destacar esse evento que busca o conhecimento para quebrar a cultura excludente que nos desumaniza. Repito que precisamos urgentemente repensar o nosso convívio social.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Defendendo o meu trabalho de conclusão da pós em Gênero e Direito/EMERJ


Quanta honra e alegria ter exposto o meu trabalho de conclusão da pós-graduação em Gênero e Direito "Especificidades do crime de estupro contra mulheres com deficiência" na 78ª Reunião do Fórum Permanente de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero intitulado "Reflexões sobre Gênero e Direito", realizado no dia 16 de janeiro de 2020.

Parabenizo as amigas Cristina Werner e Carla Araújo pela organização do evento. Essa turma foi maravilhosa e a nossa troca foi muito produtiva! A nossa união tem que ser eterna para que a nossa causa caminhe.








quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Evento do CIEE sobre inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho


Registro os meus agradecimentos ao CIEE na pessoa da querida Valéria Moreno por ter organizado tão grandioso evento no qual compareceram 290 pessoas, sendo 80% jovens. Meu coração se enche de alegria e emoção ao falar para essa gente nova e com gigantesco potencial de empatia. Daí, até a solidariedade, é um pulo!







Descrição das imagem para pessoas com deficiência visual: a primeira foto mostra Deborah Prates falando ao microfone. Ela é branca, possui cabelos abaixo dos ombros, cacheados e cor de mel, usa óculos escuros pretos, blusa de manga 3/4 e saia longa também pretas, com detalhes constituídos por botões de cor caramelho/marrom. A segunda foto mostra o palco, com uma pequena mesa circular com garrafas de água e copos. Atrás dela, da esquerda para a direita estão Deborah Prates e os outros dois palestrantes homens. No canto esquerdo superior está o logo dos correios.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Convite: Palestra Semana Inclusiva - Santa Catarina (19/09/2019)


Convido todas, todes e todos para a minha palestra com essa gente linda de Santa Catarina no evento da Semana Inclusiva, no painel “A diversidade da pessoa com deficiência e seu protagonismo no mundo do trabalho”. Dia 19/09 (quinta-feira), às 08h, no auditório do Ministério Público do Trabalho.







segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Nota de repúdio



Muito triste ler na mídia que o procurador Deltan Dallagnol regozijava-se em nomear o então presidente Lula como "nove", por ele ter somente nove dedos em decorrência de um acidente de trabalho. Essa atitude preconceituosa tem o nome de capacitismo. O que é isso? É uma espécie do gênero preconceito que a sociedade atribui às pessoas com deficiência, reduzindo-as à própria deficiência. O procurador, nessa lógica discriminatória, nomeou Lula como "nove", assim como o chamaria de aleijado, ceguinho, surdinho, demente, ou de qualquer outra forma pejorativa com o único fito de vincar quaisquer outras deficiências.

Quasímodo - personagem de Victor Hugo na obra O corcunda de Notre Dame, foi chamado de bobo da corte em decorrência de sua deficiência física. O contexto desse clássico mostrou a forma desumana com que a sociedade da Idade Média enxergava a pessoa com deficiência, pelo que é inconcebível o representante do Ministério Público - que deveria saber sobre DIREITOS HUMANOS - reproduzir essa atitude abjeta no Século XXI. Quero crer que ele seja um ponto fora da curva nessa honrosa Instituição, cujos representantes têm o dever constitucional de enxergar todos os corpos como sujeitos. Sim. As pessoas com deficiência constituem-se como corpos sujeitos, providos de emoções, história e subjetividade. Por essas e outras tiradas burras e insensíveis é que fica cristalino que precisamos, com urgência, rever o nosso convívio social.

No próximo 21 de setembro será o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, cujo objetivo é conscientizar a sociedade para que enxergue esse grupo populacional como igual, sem a discriminação decorrente do terrível capacitismo. Nessa data ficarei esperando o pedido de desculpas do procurador Deltan Dallagnol a todas as pessoas com deficiência pela ofensa por ele praticada. Como lição de casa até esse dia é que deixo para Dallagnol a leitura diária do pensamento do sociólogo Boaventura de Sousa Santos: "Temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza." (SANTOS, Boaventura de Sousa. A construção multicultural da igualdade e da diferença. Coimbra: Oficina do CES, n. 135, jan 1999, p. 44).


Obs: Da mesma forma que foi com o Lula, poderia ser com qualquer pessoa. Não vamos deixar opiniões políticas interferirem na crítica contra um preconceito universal.

Obs 2: Peço aos que entenderem justo que compartilhem para que esta mensagem chegue até procurador Deltan Dallagnol.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Meu repúdio ao comportamento machista do Sr. Bolsonaro


Enquanto feminista não posso deixar de externar a minha indignação ao comportamento machista realizado pelo Sr. Bolsonaro a uma postagem de um de seus seguidores nas redes sociais. O seguidor, lamentavelmente, faz uma montagem usando duas fotos. Uma do Sr. Jair Bolsonaro com sua esposa bem mais jovem e outra com o presidente da França com a respectiva esposa com idade bem mais avançada. Como se a felicidade estivesse atrelada a idade das mulheres. Em tom de gozação endossa esse contexto machista e sexista, o que é inconcebível a um Chefe de Estado.

Vejam como é importante estudar gênero quando se quer entender as desigualdades sociais. Hoje há uma consciência, pelo menos para os estudiosos, de que o gênero estabelece as desigualdades e hierarquiza pessoas. A cultura ocidental, ainda em 2019, valoriza o homem mais velho que se une a uma mulher mais jovem. Aliás, quanto maior é a diferença mais aplausos recebe. No contraponto, ridiculariza a mulher quando esta se une a um homem mais jovem.

O Sr. Bolsonaro sentiu-se envaidecido ao ver exposta a juventude de sua esposa como se fosse um troféu conquistado pelo poder. Este sentimento é calcado no sistema patriarcal e no machismo estrutural que nos é passado de geração em geração. O homem idoso se acha mais poderoso se estiver ao lado de uma mulher mais jovem. Usa e abusa desse estereótipo jovial, o qual atualiza as suas qualidades físicas e sexuais, de sorte a potencializar a sua masculinidade até a morte.

Faz pouco tempo que as propagandas de carros aconteciam com homens mais velhos dirigindo ao lado de mulheres jovens, situação que lhes dava mais poder/prestígio social. A mulher e o carro novo eram coisas e, como tais, podiam ser descartadas sempre que quisessem. A má atitude do Sr. Bolsonaro é exatamente essa. Para ele a mulher não é um ser humano e sim um objeto, cuja obsolescência pode ser programada com a maior naturalidade. Assim, usa e descarta esses corpos porque entende que são desprovidos de subjetividade.

Sem dúvida foi uma ofensa a todas as mulheres indistintamente, já que as jovens de hoje serão as idosas de amanhã, caso não sejam atropeladas precocemente pela morte. A Sra. Brigitte Macron é a primeira-dama francesa e tem 24 anos a mais do que seu marido, Emanuel Macron. Apenas por esse detalhe foi discriminada pelo representante do nosso Brasil, o qual não reconhece os DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.

Esse panorama somente mudará se semearmos a conscientização para posterior educação quanto a igualdade entre os gêneros. A saída será via exercícios de acessibilidade atitudinal. De fato, necessitamos, com a maior urgência, rever o nosso convívio social.