quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Reflexões de recuperação


Pois é, estou de repouso, por prescrição médica, me recuperando da cirurgia feita no último dia 2. Claro que de saco cheio. Tudo vai bem. É o que importa. Nesse infinito tempo venho pensando na vida e nos eventos que virão pela Comissão da Mulher do IAB, integradora de minorias e singularidades. Foquei, por momentos, na solidariedade. Repito ser este o sentimento que nos faz humanos.

Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: uma rosa vermelha aberta, bem cheia. Sua textura é quase um veludo e, abaixo, há algumas folhas verdes.

Justamente por ser sentimento a solidariedade não pode ser ensinada. Isto porque está entranhada em nós. Podemos transmitir conhecimentos sobre tantas coisas que podem ser ditas. Coisas que podem ser transmitidas estão do lado de fora e não têm a capacidade de traduzir o verdadeiro sentir. Por isso é tão complexo falar de sentimentos, emoções e sensações.

Experimentei os dois lados do balcão da vida. Agora, como pessoa cega, sei o quanto é difícil, por exemplo, alguém me explicar sobre o belo ou o feio. O sentimento vai muito além do que os olhos veem. É algo que não é possível explicar ou descrever com palavras, ante a sua complexidade.

Então, como ensinar solidariedade? Entendo que esse sentimento tem que brotar em nós. Como se fosse um grãozinho a espera de ser plantado. Após nascer, a natureza se incumbirá de cuidar dele até o seu florescer.

Angelus Silesius - místico, filósofo, poeta e jurista do sec. XVII - deixou-nos um poema retratando bem esse derramamento, transbordamento natural: "A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê...".

Assim, penso que temos que sair pela vida semeando grãozinhos de solidariedade para que, nascendo, venha a florescer, configurando um simples derramamento humanitário do ser. Sem porquês!

Tenho certeza de que teremos um Brasil melhor. Mais republicano e democrático.

Essa é a reflexão que quis compartilhar com os amigos. Cultivemos em  todas, todos e todes a solidariedade.


(Deborah Prates)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sobre a minha saúde

Informo aos amigos e amigas do blog que no último dia 02 fiz uma cirurgia para aliviar a pressão - altíssima - do olho direito, a qual correu bem. Ontem foi dia de revisão e o cirurgião disse que o seu trabalho está uma obra de arte rsrsrs.

Por isso é que estou meio sumida desse espaço. Só estarei de alta no próximo dia 02 de setembro. Haja paciência...

Beijas. 
Deborah Prates

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Energias Positivas

Queridas amigas e amigos, informo que amanhã (02/08) farei uma cirurgia no meu olho direito, já que a pressão está muito alta. Torçam por mim e, se puderem, enviem-me muita energia positiva. Agradecida rsrsrs. Por isso, talvez fique um pouco ausente das redes sociais. Até breve. Beijas e beijos

sábado, 8 de julho de 2017

Confraternização na Mobility Rio

Momentos de confraternização na feira Mobility & Show Rio!




Descrição das fotos para pessoas com deficiência visual: Na primeira foto há um grupo de 10 pessoas, incluindo Deborah Prates. Na segunda, ela está em pé com Jimmy Prates e ao fundo a baía de Guanabara.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Palestra feita por Deborah Prates dia 6/7/2017, a convite do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - CONADE, (Órgão Superior de Deliberação Colegiada, integrante da estrutura básica do Ministério dos Direitos Humanos), realizada no RJ, na sede da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O tema foi: "A Lei Brasileira de Inclusão e a Eliminação de Barreiras Atitudinais".

Foi uma grande honra e alegria poder colaborar com os trabalhos do CONADE. Agradeço aos responsáveis, em especial ao Dr. Joaquim Santana pelo convite.





Descrição das fotos para pessoas com deficiência visual: Em ambas as fotos, Deborah Prates encontra-se sentada em uma grande mesa de madeira falando ao microfone. Usa óculos escuros, uma blusa preta e um casaco amarelo. Ao seu lado está Joaquim Santana, trajando blusa branca e terno preto. Na segunda foto, mais ampla, uma placa escrito "CNC" está fixada na parede, a esquerda dos dois. Ao longo da grande mesa encontram-se mais três pessoas, sendo dois homens e uma mulher.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Convite Feira Mobility Show

Convite: No dia 07/07/2017, com muita honra, farei uma palestra sobre ACESSIBILIDADE ATITUDINAL, às 15h. Segue informações:

Feira "Mobility Show", que ocorrerá na Marina da Glória da Cidade Maravilhosa nos dias 07 (de 12h às 18h), 08 e 09 (10h às 18h) de julho de 2017.

"Tudo o que você e sua Família precisam para comprar o seu Carro 0KM com ISENÇÃO DE IMPOSTOS, além de extensa variedade de Produtos, Equipamentos e Serviços em Tecnologia Assistiva reunidos em um só lugar."


Maiores informações: 0800 722 6612 ou www.mobilityshow.com.br





sexta-feira, 23 de junho de 2017

Comissão da Mulher do IAB: um marco

Convido a todos a lerem o meu artigo publicado no blog na PartidA!

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Comissão da Mulher do IAB: um marco

A mulher com deficiência está construindo uma história de inclusão no Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB). Sou a única pessoa com deficiência a integrar seus quadros em 174 anos de existência. E no último abril tive a honra de ser nomeada presidente da sua Comissão da Mulher.
Senti uma inenarrável emoção pela confiança em mim depositada, principalmente por tratar-se de uma comissão que não é exclusiva das pessoas com deficiência (PCD).
Sempre sonhei derrubar o cruel gaveteiro, figurativamente construído pela preconceituosa sociedade. Em cada gaveta encontrava-se um seguimento populacional: pessoas com deficiência, negros, mulheres, idosos, crianças, refugiados, nordestinos, humanos em situação de rua, etc. Com a Comissão da Mulher esse móvel veio abaixo. E que maravilha, essa bagunça humanitária! Desse marco para a frente, veremos todo mundo junto e misturado.
Na nossa proposta de fala e escuta, pretendo dar voz a todas as mulheres que, comumente, são excluídas das rodas de conversas. Assim, nos eventos da Comissão da Mulher do IAB, obrigatoriamente, deverão haver várias representações de mulheres que, em tese, ainda estão sem voz.
No dia 30 de maio, por exemplo, foi realizado o primeiro evento, intitulado “O mercado de trabalho para a mulher brasileira nos tempos atuais”. Além das mulheres brancas, privilegiadas, tive a felicidade de contar com três palestras de mulheres sempre esquecidas pela sociedade.
A advogada Maria Eduarda Aguiar relatou os percalços enfrentados pela mulher transexual, enfatizando “a invisibilidade, ocasionada pelo machismo estrutural e cultural, o abandono familiar, a falta de capacitação ocasionada pela prematura evasão escolar.” Esclareceu que “5% das mulheres transexuais conseguem um emprego formal e 90% estão na informalidade e ou prostituição, tendo que brigar pelo respectivo nome social.”
A presença da advogada negra Ana Carolina Lima, por sua vez, trouxe a consciência de que “não é tarefa fácil transformar o olhar social para com a mulher negra, antes vista como serviçal.” Assim, ter conquistado o título de doutora não foi tarefa fácil. Aduziu que “há ainda muitos olhares de estranhamento no meio jurídico, ora por ser mulher e, ainda mulher negra.”
Eu falei sobre a ausência de oportunidades para a mulher com deficiência. Lembrei que, enquanto as mulheres sem deficiência estão dando os primeiros passos rumo à igualdade de gênero, as mulheres com deficiência ainda estão em fase gestacional.
Até agora, o modelo social das deficiências está na figura do homem branco, adulto, heterossexual e com lesão medular, focado no contexto americano de 1948. Assim, as mulheres com deficiência, simbolicamente, têm valor social menor que homens sem e com deficiência e, também, menor valor que as mulheres sem deficiência. Logo, o mercado de trabalho para elas está absurdamente fechado.
A ideia de boa aparência, afinal, imposta pelo capitalismo, repele todo corpo que não caiba na fôrma da indústria da moda. O ser que habita um corpo diferente está fora! Fora da vida… Além disso, a educação para essas pessoas é muito precária, ante a ausência de todo tipo de acessibilidade – o que lhes retira bem mais as chances de trabalho.
É preciso reconhecer, ainda, que a lei de cotas – que já existe há 26 anos – não pegou. Em 2016, mesmo com a vigência da LBI (Lei Brasileira de Inclusão) o TST pacificou o entendimento de que, por ausência de capacitação das PCD, as empresas não podem ser punidas por não preencher as cotas. Absurdo! Afinal, também é da sociedade (empresas cidadãs) a obrigação de capacitação das PCD.
Regentes republicanos, no sentido lato sensu, é o que nos falta. Com a república, afinal, vêm a responsabilidade e a responsabilização. A democracia precisa ser temperada com a república! Ah, se tivéssemos esta consciência, que maravilha viver!
O Poder Judiciário, no entanto, dá o mau exemplo à sociedade. Prova disso está na imposição de um PJe (Processo Judicial eletrônico) inacessível, o que baniu as advogadas cegas da advocacia. A ata de reunião do CNJ de número 40, de 12 de setembro de 2013, comprova a intenção de EXCLUIR do trabalho esse seguimento quando registra para a eternidade: “(…) que, como há a possibilidade de capacitar idosos, mas não de melhorar a visão dos deficientes, devemos atender os demais.” Diante dessa desumanidade do CNJ, como exigir da sociedade que reconheça a competência das PCD para o mercado de trabalho?
Apesar desses problemas, nossa! Como o público se interessou em conhecer essas escondidas informações! De fato, é o diálogo o melhor caminho para as necessárias transformações. Aquele nosso primeiro evento ressignificou tantas ultrapassadas convicções. São com esses pequenos e contínuos exercícios de acessibilidade atitudinal, que não custam dinheiro, que transformaremos este Brasil tão desigual. Tiramos os presentes do piloto automático.
Agora, já estou trabalhando no projeto do próximo evento, intitulado “O preconceito contra as mulheres positivas e as infecções sexualmente transmissíveis”. Essas mulheres, insensatamente, são deixadas à margem da sociedade. Grande parte dos seres humanos sequer as cumprimentam pegando-lhes nas mãos – e, quando o fazem, correm para lavá-las com medo de contrair HIV, o vírus causador da AIDS. Essas companheiras, portanto, especialmente nesse momento tão conturbado de suas vidas, necessitam de muita sororidade! Precisamos ouvir as vozes dessas mulheres e de tantas mais que não conseguem ser escutadas.
Mediante a breve exposição acima, fica certo que o diferencial da Comissão da Mulher do IAB será a inclusão de todas as mulheres normalmente excluídas pelas suas pares e pela sociedade.
Um coro. Um coro a capella. Sim. Quanta felicidade será ouvir todas as mulheres, em simultâneo e de modo coordenado, cantarem a mesma canção. Sem maestrina e sem hierarquia. Uau! Vozes com diferentes registos ou timbres interpretando a mesma canção. A canção da partidA! Da vida! Meus olhos cegos veem o letreiro anunciando: as partidAs apresentam a obra musical Flores da Sororidade! Delícia.

O amor a si própria e ao próximo é um exercício diário.
Disponível em: 
https://partidanet.wordpress.com/2017/06/20/comissao-da-mulher-do-iab-um-marco/