sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Formigueiro contraproducente


 Sinto-me acariciada assistindo, na prática, os efeitos dos exercícios de acessibilidade atitudinal que venho fazendo no IAB. Ouço as pessoas comentando que o meu trabalho de formiguinha vem surtindo efeito.


Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: Imagem em forma de desenho do interior de um formigueiro. Há a presença de vários caminhos, por onde as formigas passam. Na parte inferior vemos uma formiga bem maior que as outras. Acima do formigueiro existem diversos matinhos verdes.


Fiquei a refletir sobre isso. Concluí que não. Afinal, as formiguinhas fazem um trabalho coletivo, de modo que o todo é bem maior que a soma das partes. Há uma sinergia e empatia que paira no ar! Poxa, que bacana se o seguimento acreditasse na transformação social via educação! Se não ficasse - tão-só - pedindo novas leis... aumento nas multas... A educação é tudo! Creio na atitudinal como alavanca transformadora.

Vou dividir com todas, todes e todos uma singela passagem que, para mim, significa muito e tem a ver com o 21 de setembro.

As mulheres com deficiência sempre estiveram nas entrelinhas da história, já que esquecidas e negligenciadas pela coletividade. A voz falada ou escrita lhes é negada, até mesmo por suas pares. É mais fácil deixá-las na invisibilidade do que efetivar os seus direitos fundamentais, valendo, para estes comentários, ressaltar as acessibilidades em todas as suas nuances.

Na condição de presidente da Comissão da Mulher, procurei o presidente nacional do IAB - Dr. Técio Lins e Silva - para explicar-lhe a necessidade de ser colocada uma rampa de acesso no tablado localizado no plenário, proporcionando, assim, igual oportunidade a todas as pessoas que queiram ocupar o espaço. Sabia que, pela conjuntura histórica do IAB, não seria nada simples.

Aduzi, por exemplo, que uma mulher cadeirante, se convidada para um evento, não teria autonomia e independência para participar da mesa, ante a ausência de acessibilidade. Enfatizei os fundamentos e objetivos da república. Discutimos, apresentando e contrapondo razões, em iguais condições de argumentação, o que nos levou as várias reflexões e, finalmente, ao deferimento do pedido. Nem acreditei! Depois de 174 anos de existência o IAB terá uma rampa!

Tive a certeza que a fratria é o mote do Instituto. Constatei que a fraternidade age como modo de coibir a desigualdade. Nesse particular, registro que a contratação de intérpretes para a LIBRAS nos eventos da Comissão da Mulher sempre foram bem recepcionados, numa demonstração de consciência na ruptura das barreiras atitudinais, as quais impedem o cumprimento da legislação acerca das acessibilidades.

Logo, a fratria e a solidariedade funcionam no IAB como eixos para a reconstituição dos laços sociais. Lindo!

Por essa boa notícia é que a Comissão da Mulher - integradora de minorias e de singularidades - adiou o evento que faria em 21 de setembro - dia da conscientização da luta das pessoas com deficiência no Brasil - para nova data. Então, a mulher com deficiência física poderá subir, com dignidade, a rampa de acesso ao tablado para palestrar, juntamente com as suas iguais, em equiparação de condições. Afinal, todos os dias do ano também são nossos!

As mulheres com deficiência são muito mais violentadas, física e simbolicamente, que as sem deficiência. Portanto, precisam ser ouvidas para que possam contar à sociedade sobre a violência que também sofrem decorrente de gênero. Precisam ser empoderadas para que participem do processo democrático em todos os campos sociais, políticos e econômicos. Compete, da mesma forma a esse nicho populacional, participar de debates públicos e tomar decisões que sejam importantes para o futuro da sociedade. Certo é que o feminismo é um movimento de transformação social.

O IAB está construindo um novo conceito sobre as pessoas com deficiência, sendo tal ressignificação essencial para a verdadeira inclusão. Mexer e romper com a cultura que está posta faz séculos não é tarefa fácil. Voltar os olhos para dentro de si e checar o que está certo e errado e ter a ousadia de mudar tudo para prosseguir com novos paradigmas é nutrir o nobre sentimento da humildade.


Sinto-me orgulhosa e honrada em integrar os quadros do IAB.


Deborah Prates


(advogada e feminista)

domingo, 10 de setembro de 2017

Resistência contra o machismo no poder judiciário

A Comissão da Mulher do IAB se manifesta sobre o caso de preconceito de gênero reiteradamente praticado pelo poder judiciário em todas as suas esferas.


"Moção de repúdio a desembargador do TRT-GO

O Plenário do IAB acolheu, por unanimidade, na sessão ordinária desta quarta-feira (6/9), a moção de repúdio ao desembargador Eugênio Cesário, do TRT-GO, de iniciativa da Comissão da Mulher. No dia 17 de agosto, o magistrado se recusou a ouvir a sustentação oral de uma advogada por considerar que a roupa que ela vestia (uma camisa sem mangas) era inadequada ao “decoro forense”. O julgamento foi retomado após a advogada conseguir emprestado um blazer com uma colega.


Leia a íntegra da moção:

“O Instituto dos Advogados Brasileiros, em conformidade com a solicitação da sua Comissão da Mulher, manifesta seu repúdio relativamente à manifestação do desembargador Eugênio Cesário, do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), por ter afirmado que deixaria o plenário de julgamento pelo fato de uma advogada não estar trajada (uma camisa sem mangas) de acordo com o que ele reputa serem as regras de decoro.

O abuso de poder verificado atingiu o exercício da advocacia, pois a advogada foi impedida de utilizar as vestes talares e de usar da palavra em favor do seu constituinte.

O comportamento do mencionado desembargador, a par de desonrar a magistratura e atingir a advocacia, ofende a mulher advogada, devendo ser objeto de repulsa de toda a classe.”

                                                                                                                                   Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2017


Técio Lins e Silva

Presidente nacional do IAB"


Matéria retirada do site: https://www.iabnacional.org.br/noticias/mocao-de-repudio-a-desembargador-do-trt-go#.WbLCIHbJoj0.facebook

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Reflexões de recuperação 2


Aproveito o tempo de recuperação para conversar comigo acerca de alguns pontos que estão ocupando todos os espaços no momento. Dessa vez, foquei na tolerância e na intolerância. Dois lados de uma mesma moeda.


Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: foto de um Condor voando com as asas abertas em um céu azul sem nuvens. A ave é preta, com um faixa branca no pescoço parecendo um colar, e segundo a mitologia inca é considerado imortal. Ao fundo vê-se montanhas.


A etimologia dá conta que os verbetes têm como ponto de partida o latim. Intolerantia = impaciência, incapacidade de aguentar. De in = negativo + tolerans, aquele que aguenta, de tolerare, aguentar.

As redes sociais, por ilustração, estão repletas de textos comentando - a favor ou contra -  as violências decorrentes de gênero, de deficiência, de raça, de classe social, de orientação sexual, etc. Outros preferem focar na saga dos refugiados, no terrorismo, nos países que preferiram se isolar do resto do mundo por entenderem que não precisam dos outros, etc. Quantos panos pras mangas, quantas discussões.

Quem de nós não ouviu histórias de amizades rompidas e de encontros rejeitados por divergências políticas ou religiosas? Qual o brasileiro que nunca discutiu sobre a questão da legalização do Uber para que pudesse concorrer com o táxi? Quantos condôminos romperam relações de vizinhança por divergências em assembleias? Quantas mortes a mídia já noticiou por conta de torcidas rivais de times de futebol? Quantas brigas em filas de bancos, supermercados e de empregos, originadas pelos tópicos aqui enfocados, deram suporte a inúmeras ocorrências policiais?

Todas essas situações estão presentes na vida cotidiana. E de que maneira conseguimos equacioná-las? Na maioria das conjunturas não temos serenidade suficiente para interagir com aqueles que não comungam da nossa opinião, não é mesmo? Errados são sempre os outros. Somos mesmo intolerantes!

Mahatma Gandhi deixou-nos um legado maravilhoso sobre esses nossos maus comportamentos diante de pontos de vista opostos.

"A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos."

Creio que tolerar seja bastante diferente de concordar. Temos, claro, a liberdade de formar um julgamento negativo da coisa tolerada. Temos o direito de entender o tolerado como algo de mau, perigoso, errado ou incorreto. Contudo, não podemos agir contrariamente ou violentamente contra a coisa tolerada. Não podemos desautorizar a sua exteriorização publicamente, caso seja uma reflexão. Tampouco, podemos coibir a sua realização, caso seja uma ação.

Quem tolera não tenta circunscrever, delimitar a LIBERDADE de seu expositor de falar ou agir como quiser. Ao contrário, em respeito a ideia alheia, procura suportar tal opinião incompatível com a sua.

A nossa realidade humana está repleta de contradições e diferenças. É isso que realça a beleza nas relações. Somos mesmo, reciprocamente, tolerantes e intolerantes! Logo, prudente se torna o controle do bom senso e do respeito devido a uma vida em sociedade. Não podemos odiar os nossos semelhantes a partir das diferenças que apontamos neles. Temos que fomentar as relações de justiça e igualdade e NÃO dar razão à nossa desumanidade.

A República Federativa do Brasil constitui-se em um Estado Democrático de Direito, pelo que a lei é o LIMITE que nos possibilita distinguir o que pode e deve ser tolerado, do que é, pela moral estabelecida pela sociedade, tido como intolerável.

De forma alguma temos o direito de eliminar, exterminar as diferenças. Elas hão que coexistir! É nossa obrigação abrir caminhos para um mundo melhor, mais solidário.

Para o momento, são estas as reflexões que quero dividir com os meus semelhantes. A LIBERDADE de pensamento, quero crer, é o que ainda nos resta.


"Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós E que a voz da igualdade Seja sempre a nossa voz...". (samba de Dudu Nobre)

Deborah Prates.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Reflexões de recuperação


Pois é, estou de repouso, por prescrição médica, me recuperando da cirurgia feita no último dia 2. Claro que de saco cheio. Tudo vai bem. É o que importa. Nesse infinito tempo venho pensando na vida e nos eventos que virão pela Comissão da Mulher do IAB, integradora de minorias e singularidades. Foquei, por momentos, na solidariedade. Repito ser este o sentimento que nos faz humanos.

Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: uma rosa vermelha aberta, bem cheia. Sua textura é quase um veludo e, abaixo, há algumas folhas verdes.

Justamente por ser sentimento a solidariedade não pode ser ensinada. Isto porque está entranhada em nós. Podemos transmitir conhecimentos sobre tantas coisas que podem ser ditas. Coisas que podem ser transmitidas estão do lado de fora e não têm a capacidade de traduzir o verdadeiro sentir. Por isso é tão complexo falar de sentimentos, emoções e sensações.

Experimentei os dois lados do balcão da vida. Agora, como pessoa cega, sei o quanto é difícil, por exemplo, alguém me explicar sobre o belo ou o feio. O sentimento vai muito além do que os olhos veem. É algo que não é possível explicar ou descrever com palavras, ante a sua complexidade.

Então, como ensinar solidariedade? Entendo que esse sentimento tem que brotar em nós. Como se fosse um grãozinho a espera de ser plantado. Após nascer, a natureza se incumbirá de cuidar dele até o seu florescer.

Angelus Silesius - místico, filósofo, poeta e jurista do sec. XVII - deixou-nos um poema retratando bem esse derramamento, transbordamento natural: "A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê...".

Assim, penso que temos que sair pela vida semeando grãozinhos de solidariedade para que, nascendo, venha a florescer, configurando um simples derramamento humanitário do ser. Sem porquês!

Tenho certeza de que teremos um Brasil melhor. Mais republicano e democrático.

Essa é a reflexão que quis compartilhar com os amigos. Cultivemos em  todas, todos e todes a solidariedade.


(Deborah Prates)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sobre a minha saúde

Informo aos amigos e amigas do blog que no último dia 02 fiz uma cirurgia para aliviar a pressão - altíssima - do olho direito, a qual correu bem. Ontem foi dia de revisão e o cirurgião disse que o seu trabalho está uma obra de arte rsrsrs.

Por isso é que estou meio sumida desse espaço. Só estarei de alta no próximo dia 02 de setembro. Haja paciência...

Beijas. 
Deborah Prates

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Energias Positivas

Queridas amigas e amigos, informo que amanhã (02/08) farei uma cirurgia no meu olho direito, já que a pressão está muito alta. Torçam por mim e, se puderem, enviem-me muita energia positiva. Agradecida rsrsrs. Por isso, talvez fique um pouco ausente das redes sociais. Até breve. Beijas e beijos

sábado, 8 de julho de 2017

Confraternização na Mobility Rio

Momentos de confraternização na feira Mobility & Show Rio!




Descrição das fotos para pessoas com deficiência visual: Na primeira foto há um grupo de 10 pessoas, incluindo Deborah Prates. Na segunda, ela está em pé com Jimmy Prates e ao fundo a baía de Guanabara.